A História
À época da invasão do Reino Unido pelos romanos, o lugar hoje conhecido por Escócia foi habitado principalmente pelos pictos. O domínio romano nunca conseguiu se impor completamente na maior parte da Escócia, apesar dos intensos conflitos. No século VI, o antigo povo escocês, originário da Irlanda, estabeleceu-se no lugar hoje denominado como Argyll, cedendo seu nome à atual Escócia. A região de Lothian era povoada pelos anglos, e os bretões se instalaram na região de Strathclde, ao norte. No século IX, algumas regiões da Escócia foram sujeitas a ataques Vikings, época quando foi estabelecido um reino unido da Escócia.
Guerras entre a Inglaterra e a Escócia eram freqüentes na Idade Média. Havia, no entanto, fortes laços entre os dois reinos: vários reis escoceses possuíam terras e títulos na Inglaterra e muitos casamentos entre as famílias reais inglesa e escocesa foram realizados. Apesar de diversos levantes terem fracassado, tais como a derrota de William Wallace em 1298, foi a vitória de Robert the Bruce sobre Edward II da Inglaterra no ano de 1314, em Bannockburn, que assegurou a sobrevivência do Reino da Escócia independente. As duas coroas finalmente se uniram quando Elizabeth I da Inglaterra foi sucedida, em 1603, por James VI da Escócia (James I da Inglaterra), seu herdeiro mais próximo. Mesmo assim, a Inglaterra e a Escócia permaneceram organizações políticas independentes durante o século XVII, com exceção de um curto período de unificação imposto durante o reinado de Oliver Cromwell, na década de 1650. Em 1707, optando por uma união política e econômica mais sólida, os parlamentos inglês e escocês decidiram por um parlamento único para a Grã-Bretanha
Devolução
A devolução de poderes para a Escócia (e para o País de Gales) é uma importante parte do programa de reforma constitucional do Governo. Propostas para a criação do novo parlamento e do gabinete executivo escoceses foram reunidas em um White Paper (documento correspondente a um projeto de lei) denominado "O Parlamento Escocês", o qual foi referendado em setembro de 1997. As eleições para o Parlamento aconteceram em 6 de maio de 1999, quando saiu vitorioso o partido dos trabalhadores, com 56 representantes eleitos. O Partido Nacionalista Escocês elegeu 35 representantes, o Conservador 18, o Liberal-democrata 17 e os demais 3.
Em 12 de maio de 1999, o Parlamento Escocês abriu os trabalhos da sua primeira sessão desde 1707. No dia 17 de maio, Donald Dewar foi nomeado Primeiro Ministro e seu gabinete foi empossado. No dia 1º de julho, poderes foram transferidos para a administração escocesa, inclusive os relacionados ao desenvolvimento econômico, saúde e educação. Outras questões, como as relações exteriores, permanecem sob a responsabilidade do Governo do Reino Unido.
A Escócia no Parlamento Britânico
Há 72 cadeiras para representantes escoceses na Câmara dos Comuns. Nas Eleições Gerais de maio de 1997, o Partido Trabalhista fortaleceu sua posição como maior partido, conquistando seis cadeiras, enquanto o Partido Conservador perdeu todas as suas 10 cadeiras. Em outubro de 1997, o Partido Trabalhista tinha 55 MPs (Membros do Parlamento), o Partido Liberal Democrata 10, e o Partido Nacionalista Escocês 6, com uma cadeira vaga devido ao falecimento de um MP do Partido Trabalhista.
Indústria
Nos últimos 50 anos, as indústrias tradicionais, tais como as de carvão, aço e estaleiros declinaram, enquanto as indústrias de alta tecnologia, tais como a de produtos químicos, engenharia eletrônica e tecnologia de informação, bem como os serviços, prosperaram muito. A Escócia tem uma das maiores concentrações de indústrias eletrônicas da Europa Ocidental, com aproximadamente 550 unidades de produção (ou 160 indústrias), dando emprego a quase 41.000 trabalhadores, segundo dados de 1995. Este nicho representa 28% de toda a produção industrial da Escócia e é seu principal setor na pauta de exportações.
Indústrias tradicionais, tais como a exploração de petróleo e seus derivados, silvicultura e pescados continuam contribuindo significativamente para as exportações escocesas. A produção de uísque continua sendo uma das principais atividades industriais. Há 92 destilarias de uísque operantes, a maior parte na região nordeste da Escócia. As exportações de uísque estão estimadas em £2,400 bilhões em 1997 e representam o segundo maior negócio entre as exportações da Escócia.
Serviços
O setor de serviços emprega mais de 70% da força de trabalho. O setor financeiro da Escócia é um dos maiores da Europa em termos de volume de fundos de ações administrados, com um total de £203,900 bilhões contabilizados em março de 1998. Há quatro câmaras de compensação com sede na Escócia, os quais têm autonomia limitada para emitir moeda.
A indústria do turismo arrecadou £2,655 bilhões em 1997; houve 13,2 milhões de viagens de turismo em 1997, incluindo as iniciadas na Escócia; foi responsável, em 1996, por cerca de 177.000 empregos diretos e indiretos.
Agricultura, Administração Florestal e Pesca
Cerca de 80% da área territorial da Escócia é dedicada à agricultura. A maior parte é composta de pastagens em terreno acidentado para criação de gado bovino e ovino. A indústria bovina escocesa goza de reputação mundial, tanto pela qualidade da carne como pela linhagem de pedigree primorosas. As terras cultiváveis são altamente produtivas e a principal cultura é a da cevada, a qual é utilizada na fabricação do uísque.
Escócia conta com mais da metade das florestas do Reino Unido e por um pouco menos da metade da produção de madeira. Nos últimos dez anos, houve investimentos significativos, tanto locais como internacionais, para a produção de aglomerados de madeira e para o processamento de polpa e de papel. A pesca é uma importante atividade econômica, particularmente na região nordeste, nas Highlands e nas ilhas escocesas. Segundo dados de 1997, a Escócia foi responsável por mais de 65% do volume e 60% do valor dos pescados desembarcados no Reino Unido por navios britânicos. A criação em cativeiro de peixes, especialmente de salmão, tem se tornado mais importante: a Escócia detém atualmente a maior produção em cativeiro de salmão da União Européia
Aspectos Sócio-Culturais
O gaélico, idioma originário dos antigos celtas, é falado por aproximadamente 70.000 pessoas, especialmente nas ilhas Hébridas. O Governo incentiva o desenvolvimento e preservação da língua e da cultura gaélicas. O apoio do Governo chegará a £12 milhões no biênio 1998-9, sendo que £8,5 milhões serão destinados à radiodifusão em gaélico. 528 horas de programas televisivos foram veiculados em gaélico em 1997, inclusive pela BBC.
Muitos escoceses destacam-se nas ciências e nas artes. O festival annual Edinburgh International Festival é um dos maiores eventos culturais do mundo. Ocorre durante o mês de agosto e é o principal evento artístico do Reino Unido. A Escócia possui grandes coleções de belas-artes e artes aplicadas, tais como a Burrell Collection, em Glasgow. Um novo museu está sendo construído em Edimburgo para abrigar a Coleção Escocesa atualmente exposta no Museu Nacional.
fonte: Site do Reino Unido no Brasil - www.reinounido.org.br</div>
CRONOLOGIA
Cerca de 4000 a.C. - Chegam os primeiros habitantes vindos da Inglaterra, da Irlanda e da Europa, lançando as bases da florescente civilização neolítica, da qual ainda hoje existem traços nas ilhas Orkney.
Século I - Os Romanos não conseguem submeter as tribos celtas, a que chamavam "Picts" (do latim pictus, pintar)
Século IV - Introdução do Cristianismo.
Do século VI ao século VII - A tribo celta dos Scots's instala-se na Escócia, seguida dos Anglo-saxões, vindos da Inglaterra.
Do século VIII ao século IX - Ataques dos Escandinavos que controlavam o litoral ocidental da Escócia.
843 - O rei scot Kenneth Mac Alpin cria o reino de Scone, unindo os Scots e os Picts.
Século XII - Introdução do regime feudal anglo-saxão nas Terras Baixas sob o reinado de David I, enquanto isso os habitantes das Terras Altas conseguem resistir.
1296 - Anexação da Escócia por Eduardo I da Inglaterra.
1297 - As tropas de William Wallace esmagam os Ingleses em Stirling Bridge. Traído, Wallace teria sido executado em Londres em 1305. Assume ainda hoje um papel de herói nacional.
1314 - O rei escocês Robert Bruce derrota os Ingleses em Bannockburn. A Escócia volta a ser independente catorze anos mais tarde.
Do século XIV ao século XV - Os habitantes das Terras Baixas, mais urbanos, chamam ladrões aos habitantes das Terras Altas . É erguida uma barreira entre as duas regiões, simbolizada pelo profundo vale do Great Glen. Os conflitos internos e as epidemias devastam o país. Para poder lutar contra a Inglaterra, a Escócia alia-se à França.
Século XVI - O clima intelectual favorece a Reforma, pregada por John Knox, assim como o crescimento do Protestantismo.
1603 - Aquando da morte de Isabel I, Jaime VI da Escócia torna-se Jaime I da Inglaterra.
1707 - O Acto de união é assinado entre a Escócia e a Inglaterra, apesar da oposição por parte de muitos escoceses.
Século XVIII - A revolução industrial faz-se acompanhar de uma abertura para a vida intelectual.
De 1840 a 1886 - O fim da indústria das algas e a fome de 1840 leva milhares de escoceses a emigrar para a América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.
Durante os anos 1930 - A crise económica dá um golpe fatal à indústria pesada da Escócia.
1967 - O Partido nacional escocês (SNP) ganha o seu primeiro lugar no Parlamento britânico.
De 1970 a 1980 - A descoberta de campos de petróleo e de gás no mar do Norte leva a prosperidade à região de Aberdeen. A fuga dos rendimentos petrolíferos para a Inglaterra e compra de volta das empresas escocesas por grupos ingleses agitam o sentimento nacionalista na Escócia.
1997 - Os escoceses pronunciam-se em massa a favor da criação de um parlamento escocês.
1999 - Eleições do Parlamento escocês, com sede em Edinburgo.